sábado, novembro 22

A nova vocação "Atlántica" do estado português

Chega-me a notícia, pelo El País de ontem, de que o estado Português se irá endividar mais do que tinha anunciado. Afinal, a contenção que dividiu tantas das nossas opiniões, era só para a UE ver: de um limite de 7,900 milhões de euros passamos agora para 8,200 milhões. O secretário de estado Norberto Rosa justificou a medida com a necessidade de dar resposta às queixas da Associação Nacional de Municípios, transferindo para estes 41 milhões de euros. Humm, vejamos a aritmética da coisa... 8,2-7,9=300 milhões de euros. Falta qualquer coisa? Ah, é verdade, também há a engorda no valor de 400 milhões de euros do capital da Caixa Geral de Depósitos, para a qual o estado, seu único accionista, quer contribuír generosamente. Obviamente, não se engordá um banco dessa forma sem objectivos muito concretos.

Como accionista do maior banco português, o estado, por via governamental, tem outras coisas em que pensar para além do financiamento dos municípios, que este ano quase entraram em colapso funcional. A engorda da CGD tem como objectivo imediato a compra do banco espanhol Atlántico, para grande desconfiança do governo espanhol.

Nem vou opinar sobre a política expansionista do nosso banco "estatal". Gostava sim, era de questionar esta ambivalência, cuja grandeza dos números parece abstraccionar: entre a gestão das empresas "estratégicas" participadas pelo estado, e a atenuação das desigualdades entre as regiões do país (leia-se o especial dedicado a esse tema no site do Público), qual deveria ser a prioridade??? 400 milhões para 41. Eis a ordem de diferença, essa bem menos abstracta, que estabelece as prioridades e lança os fundamentos para entrarmos ainda mais no "vermelho", em direcção a um futuro seguramente mais sub-desenvolvido, mas com intenções expansionistas, ou "atlánticas".

Yuri

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